Em Sétimo Álbum, Matisyahu Expressa O Momento que Vive em Nível Pessoal | Música Pavê

foto por charles vidal

O sétimo disco do nova-iorquino Matthew Paul Miller, mais conhecido como Matisyahu, não só foi batizado com o nome de seu projeto musical como também carrega o rosto do músico em sua capa. Não por acaso, o álbum é o que melhor retrata o artista – ou quem ele é neste momento, visto que ele está em constante mudança (e quem não está?).

“Ao longo dos anos, minhas letras ficaram cada vez mais pessoais”, disse ele em entrevista ao Música Pavê, “Tudo começou com Akeda (2014), no qual cantei sobre meu divórcio e sobre meu distanciamento de uma ‘religião oficial’. Naquela época, fiz uma mudança muito específica entre cantar os meus idealismos e, agora, falar sobre os lados mais obscuros da minha vida, minhas lutas e meus problemas”.

Matisyahu é também fruto da pandemia do covid-19 e do tempo de introspecção do isolamento, que tem gerado muitas obras intimistas, ainda que de caráter dançante (caso desse disco). “Com esse disco, voltei para casa”, conta ele, “me casei de novo, tenho filhos pequenos e passei tempo também com meus filhos adolescentes. O álbum foi todo feito em casa, e há um senso de algo muito pessoal nele”.

Para a produção da obra, Miller convocou o duo colombiano Salt Cathedral, que ajudou a moldar a identidade da obra sem perder de vista o conteúdo intimista e pessoal para o compositor.  “O álbum é muito colorido e toda a vibe é bastante espacial, como muito da música de hoje”, conta ele, “se eu tivesse que resumi-lo em três pessoas, seria espaço, cores e letras.Ccom essa ambientação, os versos ficam mais evidentes nas músicas e, quando você presta atenção nas letras, você conhece Matisyahu. O som muda um pouco de um disco para o outro, mesmo todos sendo uma mistura de gêneros com o reggae como o mais proeminente deles, mas o que faz cada álbum ser reconhecível como Matisyahu são as letras”.

Miller explica que uma identidade forte é um de seus maiores valores: “Sempre que escuto um som novo, procuro um toque pessoal. Pode ser um solo de guitarra, uma linha de baixo, uma batida da percussão, ou um vocal ou letra, preciso que algo específico salte à atenção. É isso o que eu quero com minha música também”. Em Matisyahu, a estética nasceu de músicas que ele tem escutado – “artistas africanos, St. John, Kid Cudi” – e de uma percussividade que ele tem estudado: “Eu cresci com uma bateria em casa, mas nunca fiz aula. Durante a pandemia, o instrumento virou uma boa válvula de escape para mim”.

Dentre os desafios no novo disco, Matisyahu produziu a faixa AM_RICA, com uma carga politizada distante de suas músicas mais dançantes. Isso é trabalhado de forma coesa com o intimismo de todo o álbum: “Não estou nem um pouco interessado em trazer conteúdo político para minha música, mas chega uma hora que não tem como ignorar”, conta ele, “a pergunta é: ‘Como um artista como eu pode expressar sua reação emocional e seus sentimentos com o que está acontecendo?’. Mas não é um posicionamento, como muitos artistas costumam fazer”.

“Acho que uma das responsabilidades de um artista como eu é dar um passo para trás e expressar como me sinto em relação à política, para o público poder ou se identificar, ou mesmo se frustrar”, explica.

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