Fernando Salem Fez um Disco de “Amor pela Canção” | Música Pavê

foto por paulo rapoport

A carreira do músico e compositor Fernando Salem percorreu uma trajetória tão diversa, quanto rica, tendo parcerias com nomes como Paulo Miklos e Liminha, a banda Vexame (que fez muito barulho nos anos 1990, com Marisa Orth nos vocais) e até trilhas sonoras de títulos como o Cocoricó da TV Cultura. Em fase solo, ele gravou com gente como Caetano Veloso. E, de todas essas fases no trabalho e na vida, nada se compara ao que foi vivido nesses últimos anos no Brasil e no mundo – que ele descreve como “a ideia de distopia se materializar – terra arrasada, pandemia, guerra”.

Falando ao Música Pavê, Fernando explica que foi nesse contexto que nasceu seu mais recente lançamento, o álbum Trilhas do Amor, no qual ele faz mais as vezes de intérprete do que de compositor (apenas duas faixas têm sua assinatura). Apesar do momento tão pesado, o disco traz canções, no geral, leves. “Eu pensei muito nisso só depois que eu fiz o disco”, conta ele, “me lembrei da expressão ‘Faça amor, não faça guerra’, como se a oposição à guerra fosse o amor, não a paz. Se não tem guerra, então tem paz, pô! Mas que grandeza que o amor tem, né? E esse não é só um disco de amor porque tem canções de amor, é um disco de amor por canções”.

“Eu estava em um momento sem compor, mas com muita vontade de tocar músicas para mim mesmo. No tempo que eu tinha para gravar, eu ficava tocando as músicas que eu gosto, do jeito que eu gosto, para mim”, explica Fernando, “quando eu aprendi a cantar a faixa-título, do Xande de Pilares, eu decidi gravar e fiquei super feliz. Decidi gravar as músicas dos outros do jeito que eu toco, e fui gravando. Os arranjos que saíram são desdobramentos do xacundum que eu faço com o violão, não tem nenhuma arrogância de querer fazer uma nova roupagem, mas tem uma ousadia”.

Entre faixas compostas por Tom Jobim a Reginaldo Rossi, passando por Erasmo Carlos, Fernando imprime sua autoralidade não só na interpretação, mas também ao assinar a produção da obra. “Eu me produzo porque eu acho que a guitarra tá falando tanto quanto a voz. Acho legal isso na canção, os discos que eu mais gosto são assim”, comenta ele. Em suas palavras: “Tenho amigos que são muito bons de estúdio, tipo André Abujamra, que é um cara que eu vivo ligando… são bons e gravariam outros caras bem, conhecem todos os plug ins do Logic… eu comecei a usar esse troço como se fosse um violão, ou um tamborim (risos), e o Rugas foi uma experiência de… não é que eu queria aprender a mexer, mas eu estava compondo produzindo. Eu senti que era legal usar aquilo como uma experiência de composição, não de arranjo. Isso me fascinou”.

Ao comentar o prazer que teve ao poder mergulhar em sua criatividade para a produção de Trilhas do Amor, Fernando diz que a atitude de gravar um repertório desses “é uma questão quase que de salvação para o artista quando ele não tem plateia, quando ele não tem eco, quando ele é anti-bolsonaro e parece que isso não significa nada. Os artistas estão com uma sensação que acho que nem nos anos 1960 tinha, de um silenciamento e de impotência muito grande. Então, você olhar para si mesmo e encontrar em si um fogo pelo que você faz, pela sua arte, eu achei redentor. Não pensei nisso quando eu fiz [o álbum], foi uma elaboração posterior. Hoje eu olho e falo ‘que legal, diz um disco de amor no meio da guerra’”.

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